sexta-feira, 3 de abril de 2026

Autismo na terceira idade: envelhecer com inclusão e cuidado

 


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é frequentemente associado à infância, entretanto pessoas autistas envelhecem e também vivenciam a terceira idade com necessidades específicas. Ainda pouco discutido social e cientificamente, o autismo na velhice permanece invisibilizado nos serviços de saúde e nas políticas públicas. Estudos recentes demonstram que o autismo acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, influenciando a forma como ele experimenta o envelhecimento, as relações sociais e o cuidado em saúde (Lin et al, 2023).

Muitos idosos atuais cresceram em períodos em que o autismo era pouco conhecido, resultando em diagnósticos tardios ou inexistentes. Dessa forma, diversas pessoas passaram grande parte da vida sem compreender suas próprias dificuldades, o que pode impactar a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida (Lin et al, 2023).

Por que o autismo na velhice ainda é pouco reconhecido? (Santos et al, 2025)

  • Invisibilidade histórica do diagnóstico: Por muito tempo, o autismo foi entendido como uma condição exclusiva da infância, deixando adultos e idosos fora do acompanhamento especializado;

  • Desafios no acesso à saúde: Idosos autistas podem apresentar maior vulnerabilidade à ansiedade, depressão, isolamento social e doenças crônicas. A falta de preparo dos serviços de saúde pode dificultar a comunicação e comprometer o cuidado integral;

  • Estigmas sociais: Características do autismo muitas vezes são confundidas com comportamentos associados ao envelhecimento, reforçando preconceitos e atrasando intervenções adequadas.

Pesquisas indicam que reconhecer as necessidades específicas dessa população melhora significativamente o bem-estar e a autonomia. Estratégias como comunicação clara, respeito às rotinas e ambientes acolhedores contribuem para reduzir a ansiedade e favorecer vínculos terapêuticos. Nesse cenário, a enfermagem exerce papel essencial ao promover cuidado humanizado, educação em saúde e apoio às famílias, fortalecendo uma assistência inclusiva e centrada na pessoa (Santos et al, 2025).

Falar sobre autismo na terceira idade é defender o direito a um envelhecimento digno e respeitoso. Reconhecer a neurodiversidade no envelhecimento amplia o olhar da saúde e contribui para uma sociedade mais inclusiva, onde todas as formas de envelhecer sejam valorizadas.

Referências

LIN, J.; et al. Transtorno do espectro autista e envelhecimento: uma revisão narrativa. Remecs. v. 8, n. 14, 2023. Disponível em: https://revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/1050

SANTOS, L. M. C.; et al. Assistência de enfermagem a Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista Nursing. v. 29, n. 320, 2025. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3282/4031