sexta-feira, 10 de abril de 2026

Doença de Parkinson e os cuidados com a Saúde Mental

 


O dia 11 de Abril se aproxima e nele comemoramos o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, que em sua essência objetiva a promoção das informações confiáveis e o olhar atento aos pacientes e cuidadores. O tema que escolhemos abordar neste ano foi escolhido de maneira a orientar sobre os cuidados com a saúde mental tanto para as pessoas convivendo com a Doença de Parkinson quanto para os seus cuidadores (Organização Mundial da Saúde, 2023).


A Doença de Parkinson é classificada como um tipo de demência e pode ser explicada, de maneira superficial, como a morte progressiva do tecido negro do cérebro, diretamente associado a coordenação e controle dos movimentos, o que explica os sinais e sintomas característicos da doença, como: tremores, fraqueza, rigidez muscular e lentidão. Portanto, a rotina e a progressão da doença causam efeitos psicológicos tanto no paciente quanto nos principais cuidadores que encaram desafios nas dinâmicas das suas relações, trabalho e estigma relacionados ao avanço do quadro e, por isso, os cuidados em saúde mental são um pilar importante para a manutenção dos envolvidos (Fresan et al, 2026).


Por que os cuidados com a saúde mental da pessoa com Doença de Parkinson são necessários?


A progressão da Doença de Parkinson é evidenciada pela redução da independência para tarefas simples, com isso, as dinâmicas de autocuidado e relação com familiares mudam. É comum que as pessoas afetadas pela doença desenvolvam sintomas depressivos e ansiedade diante de tantas mudanças. Antes, com liberdade de tempo, espaço e independência, o paciente se vê perdendo as suas habilidades naturais aos poucos e descontroladamente. Diante disso, a estima deve ser tratada em prol da qualidade de vida (Fresan et al, 2026)


E à saúde mental dos cuidadores?


Os cuidadores das pessoas acometidas pela Doença de Parkinson são principalmente os companheiros, filhos, filhas ou irmãos que dedicam uma média de 9,2 horas diárias aos cuidados dos seus entes queridos. Um artigo científico descreve o termo “Fardo do cuidador” para explicar o quão severos são os sintomas de depressão e ansiedade sofridos por esses familiares que acompanham o sofrimento de um ente querido e sofrem mentalmente e socialmente devido à doença (Fresan et al, 2026).


Formas de cuidar da saúde mental de pacientes e cuidadores (França, 2025)


  • Grupos de apoio psicológico;

  • Terapia;

  • Expansão da rede de apoio.


Desta maneira é possível reduzir o estresse causado pela doença tanto nos pacientes quanto nos principais cuidadores, com o auxílio de profissionais e pessoas com experiências semelhantes para lidar com o quadro de maneira mais consciente e humana. 


Referências


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Doença de Parkinson. Genebra: OMS, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/parkinson-disease

FRESAN, A.; et al. Predictores da Qualidade de Vida na Doença de Parkinson: O Papel da Saúde Mental e do Estigma Internalizado. Actas Esp Psiquiatr., v. 54, n. 1, p. 212 - 222, 2026. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12946725/#S1

FRANÇA, B. S. Projeto Grupo Terapêutico Tulipas Vermelhas: uma incrível vivência com pacientes parkinsonianos. IdeiaSUS/Fiocruz, 2025. Disponível em: https://ideiasus.fiocruz.br/praticas/projeto-grupo-terapeutico-tulipas-vermelhas-uma-incrivel-vivencia-com-pacientes-parkinsonianos/


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Autismo na terceira idade: envelhecer com inclusão e cuidado

 


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é frequentemente associado à infância, entretanto pessoas autistas envelhecem e também vivenciam a terceira idade com necessidades específicas. Ainda pouco discutido social e cientificamente, o autismo na velhice permanece invisibilizado nos serviços de saúde e nas políticas públicas. Estudos recentes demonstram que o autismo acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, influenciando a forma como ele experimenta o envelhecimento, as relações sociais e o cuidado em saúde (Lin et al, 2023).

Muitos idosos atuais cresceram em períodos em que o autismo era pouco conhecido, resultando em diagnósticos tardios ou inexistentes. Dessa forma, diversas pessoas passaram grande parte da vida sem compreender suas próprias dificuldades, o que pode impactar a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida (Lin et al, 2023).

Por que o autismo na velhice ainda é pouco reconhecido? (Santos et al, 2025)

  • Invisibilidade histórica do diagnóstico: Por muito tempo, o autismo foi entendido como uma condição exclusiva da infância, deixando adultos e idosos fora do acompanhamento especializado;

  • Desafios no acesso à saúde: Idosos autistas podem apresentar maior vulnerabilidade à ansiedade, depressão, isolamento social e doenças crônicas. A falta de preparo dos serviços de saúde pode dificultar a comunicação e comprometer o cuidado integral;

  • Estigmas sociais: Características do autismo muitas vezes são confundidas com comportamentos associados ao envelhecimento, reforçando preconceitos e atrasando intervenções adequadas.

Pesquisas indicam que reconhecer as necessidades específicas dessa população melhora significativamente o bem-estar e a autonomia. Estratégias como comunicação clara, respeito às rotinas e ambientes acolhedores contribuem para reduzir a ansiedade e favorecer vínculos terapêuticos. Nesse cenário, a enfermagem exerce papel essencial ao promover cuidado humanizado, educação em saúde e apoio às famílias, fortalecendo uma assistência inclusiva e centrada na pessoa (Santos et al, 2025).

Falar sobre autismo na terceira idade é defender o direito a um envelhecimento digno e respeitoso. Reconhecer a neurodiversidade no envelhecimento amplia o olhar da saúde e contribui para uma sociedade mais inclusiva, onde todas as formas de envelhecer sejam valorizadas.

Referências

LIN, J.; et al. Transtorno do espectro autista e envelhecimento: uma revisão narrativa. Remecs. v. 8, n. 14, 2023. Disponível em: https://revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/1050

SANTOS, L. M. C.; et al. Assistência de enfermagem a Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista Nursing. v. 29, n. 320, 2025. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3282/4031

sexta-feira, 27 de março de 2026

Osteoporose: um mal silencioso, como prevenir?

 


A osteoporose é uma condição caracterizada pela diminuição da densidade dos ossos, deixando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas, especialmente em idosos. É uma doença muitas vezes silenciosa e só é descoberta após uma queda, sendo muito comum entre os idosos. Por isso, falar sobre prevenção é fundamental para garantir mais segurança e qualidade de vida (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, 2025).

O primeiro passo para prevenirmos é entender quais grupos têm uma maior chance de desenvolver a osteoporose, são eles: 

  • Mulheres após a menopausa;

  • Idosos acima de 60 anos;

  • Pessoas com histórico familiar;

  • Sedentarismo;

  • Baixa ingestão de cálcio;

  • Fumantes e uso abusivo de álcool.

E como posso prevenir?

1 - Alimentação rica em cálcio (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2016)

O cálcio é essencial para manter os ossos fortes:

  • Leite e derivados;

  • Vegetais verde-escuros (couve, brócolis);

  • Sardinha.

2 - Vitamina D é essencial (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2016)

A vitamina D é fundamental para a absorção do cálcio:

  • Exponha- se ao sol da manhã regularmente;

  • Avaliação médica para suplementação, se necessário.

3 - Pratique atividade física e evite hábitos prejudiciais (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2016)

O exercício físico fortalece nosso corpo e previne quedas:

  • Caminhadas e Alongamentos;

  • Exercícios de fortalecimento muscular;

  • Não fumar e reduzir consumo de álcool;

  • Realizar sempre as consultas e exames de rotina com sua equipe de saúde.

A osteoporose pode até ser silenciosa, mas a prevenção faz toda a diferença, o exame de densitometria óssea pode identificar precocemente a perda de massa óssea, permitindo tratamento adequado antes da doença se agravar, o acompanhamento com a equipe de saúde é um passo essencial para um envelhecimento mais seguro e ativo (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, 2025).

Referências

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO. Cuidar dos ossos é cuidar da vida: como prevenir a osteoporose. Prefeitura de São Paulo, 2025. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/cuidar-dos-ossos-%C3%A9-cuidar-da-vida-como-prevenir-a-osteoporose

SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Prevenção para osteoporose. SBR, 2016. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/prevencao-para-osteoporose/

sexta-feira, 20 de março de 2026

Autonomia e identidade na Doença de Alzheimer


No dia 21 de março comemoramos o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer, está data nos ajuda a lembrar que, antes da doença, existe uma pessoa com história, sentimentos, desejos e identidade. O diagnóstico não apaga a história de vida construída ao longo dos anos. Preservar a autonomia e a dignidade é uma das formas mais respeitosas de cuidar (Burlá et al, 2014).

Precisamos entender que o Alzheimer não apaga a essência de quem a pessoa é. Mesmo com as limitações que a doença pode trazer, ainda há identidade, emoções e necessidade de reconhecimento e acolhimento. Devemos preservar isso o máximo possível, valorizar e respeitar suas escolhas sempre que possível (Burlá et al, 2014).

Incentive a autonomia sempre que possível

As limitações irão surgir com o tempo, porém é fundamental estimular a participação nas decisões dentro das capacidades preservadas. Permitir pequenas escolhas no dia a dia, como a roupa que deseja usar ou o que prefere comer, ajuda a manter o senso de autonomia e autoestima, que muitas vezes é negligenciada pela família fazendo com que o idoso perca sua identidade e favorecendo quadros depressivos neste momento de tantas incertezas. Valorizar o que a pessoa ainda consegue fazer é tão importante quanto oferecer ajuda quando necessário (Anacleto, 2019).

Comunicação com respeito (Anacleto, 2019)

  • Evite infantilizar o idoso;

  • Falar com calma e clareza;

  • Manter contato visual;

  • Demonstrar paciência e acolhimento.

O modo como nos comunicamos impacta diretamente na dignidade da pessoa. Cuidar não significa retirar completamente a independência antes do necessário, o carinho e a valorização da identidade devem permanecer. Cuidar é reconhecer a pessoa para além da doença (Burlá et al, 2014).

Referências

BURLÁ, C.; et al. Envelhecimento e doença de Alzheimer: reflexões sobre autonomia e o desafio do cuidado. Rev. bioét. v. 22, n. 1, p. 85-93, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/kjBjVtHF4qHT7s4VX5FtR8r/?format=pdf&lang=pt

ANACLETO, G. Autonomia e beneficência no cuidado com pessoas com doença de alzheimer. 2019. 144 p. Tese de mestrado em Filosofia. UFSC, Florianópolis, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/211400/PFIL0344-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y

sexta-feira, 13 de março de 2026

Curativos em casa: cuidados importantes após quedas na terceira idade


Após uma queda, pequenos ferimentos podem acontecer e, muitas vezes, a família realiza o curativo em casa. No entanto, alguns cuidados são essenciais para evitar infecções e complicações. É importante compreender que a pele do idoso é mais fina e frágil, o que aumenta o risco de infecção e demora na cicatrização. Além disso, idosos com diabetes precisam de ainda mais cuidado com qualquer ferimento (Mansano et al, 2025).

Higienização é o primeiro passo (Pereira et al, 2020)

  • Lave muito bem as mãos antes de realizar o curativo;

  • Limpe o ferimento com soro fisiológico;

  • Não utilize produtos como álcool, pó de café, pasta de dente ou receitas caseiras, eles podem atrasar a cicatrização ou até mesmo infeccionar a ferida.

Fique atento a sinais como: (Pereira et al, 2020)

  • Vermelhidão que aumenta;

  • Inchaço;

  • Saída de pus ou mau cheiro;

  • Dor intensa;

  • Febre.

Se algum desses sinais aparecer, é importante procurar atendimento de saúde.

Como proteger o ferimento? (Pereira et al, 2020)

  • Mantenha sempre o curativo fechado, isso ajuda a prevenir infecções;

  • Evite molhar o curativo durante o banho, você pode proteger com sacolas plásticas;

  • Utilize gaze estéril, de preferência;

  • Evite apertar demais o curativo;

  • Troque o curativo diariamente ou quando estiver sujo/úmido;

  • Mantenha o local limpo e seco.

Quando procurar atendimento? (Mansano et al, 2025)

  • Ferimentos profundos;

  • Sangramento que não para;

  • Queda com batida na cabeça;

  • Alteração do estado de consciência;

  • Dificuldade para se movimentar após a queda.

Pequenos ferimentos podem parecer simples, mas merecem atenção. Em caso de dúvida, procure sempre uma unidade de saúde. Cuidar corretamente evita complicações e garante uma recuperação mais segura (Mansano et al, 2025).

Referências

MANSANO, V. A. N.; et al. Estratégias para realização de curativo em ambiente domiciliar: revisão integrativa. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, v. 18, n. 2, 2025. Disponível em: https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/15424/8995

PEREIRA, M. M.; et al. Cuidados com feridas em pacientes domiciliares: uma análise sobre as condições dessas lesões e o procedimento realizado pelo cuidador. Revista de Atenção à Saúde, v. 18, n. 65, 2020. Disponível em: https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/pt_BR/article/view/6415/3176


sexta-feira, 6 de março de 2026

Dia internacional da Mulher e o Empoderamento da mulher idosa

 


A feminização da velhice é o termo que explica o aumento no número de mulheres vivendo até idades mais avançadas quando comparado aos homens e, nesse contexto que vivemos nos dias de hoje, discutir o empoderamento da mulher idosa torna-se fundamental para promover saúde, qualidade de vida e participação social na terceira idade. O empoderamento envolve o fortalecimento da autonomia, da autoestima e do reconhecimento social das mulheres idosas, permitindo sua participação ativa nas decisões relacionadas à própria vida e à comunidade (Bragagnolo et al, 2020).

Empoderamento e valorização da mulher idosa

O empoderamento da mulher idosa está diretamente relacionado ao reconhecimento de sua trajetória de vida, de sua experiência e de sua capacidade de continuar contribuindo para a sociedade. Assim, valorizar a mulher idosa significa reconhecer que a velhice pode ser uma fase de continuidade de projetos, fortalecimento de vínculos sociais e construção de novos significados para a vida (Andrade, 2018). 

Papel familiar e social 

Mesmo na velhice, muitas mulheres continuam desempenhando funções importantes no ambiente familiar e comunitário. Entre os papéis mais observados estão (Andrade, 2018):

  • Apoio emocional aos familiares;

  • Cuidado com netos e membros da família;

  • Participação em atividades religiosas e comunitárias;

  • Transmissão de conhecimentos e experiências de vida.

Desafios enfrentados pela mulher idosa

  • Dupla discriminação: A mulher idosa frequentemente enfrenta uma dupla discriminações, relacionadas tanto ao gênero quanto à idade. Esse fenômeno pode resultar em invisibilidade social, redução de oportunidades de participação e estereótipos que associam a velhice à incapacidade e improdutividade (Andrade, 2018).

  • Condições socioeconômicas: Muitas mulheres idosas passaram grande parte da vida dedicadas ao trabalho doméstico e ao cuidado da família, o que pode resultar em menor independência financeira ou acesso limitado à aposentadoria. Essas condições podem impactar diretamente a autonomia e a segurança na velhice (Andrade, 2018). 

Fatores que fortalecem a autonomia: (Bragagnolo et al, 2020)

  • Educação em saúde;

  • Prática regular de atividade física;

  • Participação em grupos de convivência;

  • Acesso a serviços de saúde;

  • Manutenção de vínculos sociais e familiares.

Essas ações favorecem o autocuidado e estimulam a independência nas atividades do cotidiano. Segundo estudos da área da enfermagem, mulheres idosas que participam de atividades sociais e programas de promoção da saúde apresentam melhores níveis de autoestima e satisfação com a vida (Bragagnolo et al, 2020).

Referências

BRAGAGNOLO, A. et al. Empoderamento feminino na velhice: experiências de ser e conviver. Expressa Extensão, v. 25, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/expressaextensao/article/view/17251

ANDRADE, C. R. M. Empoderamento da Mulher Idosa: Vivências, Relacionamentos, Sexualidade e Saúde. 2018. 76 p. Tese de mestrado em Educação em Saúde. ESEC, Coimbra, 2018. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/24015/1/CLAUDIA_ANDRADE.pdf