sexta-feira, 24 de abril de 2026

Você conhece a síndrome do cuidador?

 


Cuidar de um idoso é um gesto de amor e dedicação, mas também pode ser uma tarefa física e emocionalmente desgastante. Quando o cuidador assume muitas responsabilidades e não encontra apoio, pode desenvolver a chamada Síndrome do Cuidador, ela é um estado de completo esgotamento físico, emocional e mental que costuma surgir em pessoas que cuidam de forma contínua de alguém dependente (Alves et al, 2019).

Principais sinais de alerta (Delalibera et al, 2015)

  • Cansaço constante, mesmo após descanso;

  • Irritabilidade ou alterações de humor;

  • Tristeza frequente ou sensação de sobrecarga;

  • Problemas de sono;

  • Isolamento social;

  • Dores no corpo sem causa aparente.

Como posso prevenir essa sobrecarga? (Delalibera et al, 2015)

  • Dividir responsabilidades com outros familiares;

  • Reservar momentos de descanso;

  • Buscar apoio psicológico, se necessário;

  • Participar de grupos de apoio.

Está síndrome surge da sobrecarga de responsabilidades assumidas pelo cuidador, somadas à falta de apoio familiar e à dificuldade em dividir tarefas no dia a dia. É muito comum que o cuidador sinta culpa ao reservar um tempo para si, colocando sempre as próprias necessidades em segundo plano. Por isso, é tão importante falar sobre esse tema: quando o cuidador adoece física ou emocionalmente, o cuidado oferecido também pode ser prejudicado (Alves et al, 2019).

Referências

ALVES, L. C. S.; et al. Síndrome de burnout em cuidadores informais de idosos com demência: uma revisão sistemática. Dement. neuropsychol., v. 13, n. 4, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/dn/a/CLjLMwJHBDZGcvqGMKC5gzB/?lang=en

DELALIBERA, M.; et al. Sobrecarga no cuidar e suas repercussões nos cuidadores de pacientes em fim de vida: revisão sistemática da literatura. Ciênc. saúde coletiva, v. 20, n. 9, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/jGPHhJ88YcLdNhYdcv7xknv/?format=html&lang=pt

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Artrose, o que é?

 


    Você com certeza já ouviu falar sobre a artrose, mas sabe exatamente o que ela é? A osteoartrite, popularmente conhecida como artrose, é uma doença crônica que afeta a cartilagem, a mesma que protege nossas articulações do desgaste, mesmo após anos de uso ou lesões, causando muita dor, rigidez e em muitos casos a perda de função da articulação afetada (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2017).


O que causa a osteoartrite? 


A osteoartrite não possui uma causa em específico para seu surgimento, mas sabe-se que ela ocorre da junção de diversos fatores como o excesso de peso, fraturas e lesões, levando a uma inflamação crônica nas articulações que termina com a destruição de toda a cartilagem, fazendo com que ocorra o atrito entre os ossos e dificultando o movimento (Yaseen, 2025).


Quais são os principais sintomas? (Yaseen, 2025)


  • Dor nas articulações;

  • Rigidez, principalmente ao acordar;

  • Dificuldade para se movimentar;

  • Sensação de “areia” ou estalos ao mexer a articulação;

  • Inchaço em alguns casos. 


Quem tem mais risco de desenvolver a osteoartrite? (Yaseen, 2025)


  • Pessoas idosas;

  • Mulheres (principalmente após a menopausa);

  • Pessoas com sobrepeso;

  • Pessoas com histórico familiar;

  • Lesões ou esforços repetitivos nas articulações.


Embora não exista uma forma de evitar completamente a doença, algumas medidas ajudam na prevenção ou no retardamento da sua progressão, como manter um peso adequado, praticar atividades físicas regularmente, fortalecer a musculatura, evitar sobrecarga nas articulações e manter acompanhamento regular em saúde. A artrose não tem cura, mas tem tratamento, é imprescindível procurar um profissional de saúde no caso de suspeita ou sintomas característicos da artrose (Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2017).


Referências


SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Osteoartrite (Artrose). SBR, 27 de outubro de 2017. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/osteoartrite-artrose/

YASEEN, K.  Osteoartrite.  MSD e os Manuais MSD, 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-%C3%B3sseos-articulares-e-musculares/dist%C3%BArbios-articulares/osteoartrite-oa

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Doença de Parkinson e os cuidados com a Saúde Mental

 


O dia 11 de Abril se aproxima e nele comemoramos o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, que em sua essência objetiva a promoção das informações confiáveis e o olhar atento aos pacientes e cuidadores. O tema que escolhemos abordar neste ano foi escolhido de maneira a orientar sobre os cuidados com a saúde mental tanto para as pessoas convivendo com a Doença de Parkinson quanto para os seus cuidadores (Organização Mundial da Saúde, 2023).


A Doença de Parkinson é classificada como um tipo de demência e pode ser explicada, de maneira superficial, como a morte progressiva do tecido negro do cérebro, diretamente associado a coordenação e controle dos movimentos, o que explica os sinais e sintomas característicos da doença, como: tremores, fraqueza, rigidez muscular e lentidão. Portanto, a rotina e a progressão da doença causam efeitos psicológicos tanto no paciente quanto nos principais cuidadores que encaram desafios nas dinâmicas das suas relações, trabalho e estigma relacionados ao avanço do quadro e, por isso, os cuidados em saúde mental são um pilar importante para a manutenção dos envolvidos (Fresan et al, 2026).


Por que os cuidados com a saúde mental da pessoa com Doença de Parkinson são necessários?


A progressão da Doença de Parkinson é evidenciada pela redução da independência para tarefas simples, com isso, as dinâmicas de autocuidado e relação com familiares mudam. É comum que as pessoas afetadas pela doença desenvolvam sintomas depressivos e ansiedade diante de tantas mudanças. Antes, com liberdade de tempo, espaço e independência, o paciente se vê perdendo as suas habilidades naturais aos poucos e descontroladamente. Diante disso, a estima deve ser tratada em prol da qualidade de vida (Fresan et al, 2026)


E à saúde mental dos cuidadores?


Os cuidadores das pessoas acometidas pela Doença de Parkinson são principalmente os companheiros, filhos, filhas ou irmãos que dedicam uma média de 9,2 horas diárias aos cuidados dos seus entes queridos. Um artigo científico descreve o termo “Fardo do cuidador” para explicar o quão severos são os sintomas de depressão e ansiedade sofridos por esses familiares que acompanham o sofrimento de um ente querido e sofrem mentalmente e socialmente devido à doença (Fresan et al, 2026).


Formas de cuidar da saúde mental de pacientes e cuidadores (França, 2025)


  • Grupos de apoio psicológico;

  • Terapia;

  • Expansão da rede de apoio.


Desta maneira é possível reduzir o estresse causado pela doença tanto nos pacientes quanto nos principais cuidadores, com o auxílio de profissionais e pessoas com experiências semelhantes para lidar com o quadro de maneira mais consciente e humana. 


Referências


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Doença de Parkinson. Genebra: OMS, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/parkinson-disease

FRESAN, A.; et al. Predictores da Qualidade de Vida na Doença de Parkinson: O Papel da Saúde Mental e do Estigma Internalizado. Actas Esp Psiquiatr., v. 54, n. 1, p. 212 - 222, 2026. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12946725/#S1

FRANÇA, B. S. Projeto Grupo Terapêutico Tulipas Vermelhas: uma incrível vivência com pacientes parkinsonianos. IdeiaSUS/Fiocruz, 2025. Disponível em: https://ideiasus.fiocruz.br/praticas/projeto-grupo-terapeutico-tulipas-vermelhas-uma-incrivel-vivencia-com-pacientes-parkinsonianos/


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Autismo na terceira idade: envelhecer com inclusão e cuidado

 


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é frequentemente associado à infância, entretanto pessoas autistas envelhecem e também vivenciam a terceira idade com necessidades específicas. Ainda pouco discutido social e cientificamente, o autismo na velhice permanece invisibilizado nos serviços de saúde e nas políticas públicas. Estudos recentes demonstram que o autismo acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, influenciando a forma como ele experimenta o envelhecimento, as relações sociais e o cuidado em saúde (Lin et al, 2023).

Muitos idosos atuais cresceram em períodos em que o autismo era pouco conhecido, resultando em diagnósticos tardios ou inexistentes. Dessa forma, diversas pessoas passaram grande parte da vida sem compreender suas próprias dificuldades, o que pode impactar a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida (Lin et al, 2023).

Por que o autismo na velhice ainda é pouco reconhecido? (Santos et al, 2025)

  • Invisibilidade histórica do diagnóstico: Por muito tempo, o autismo foi entendido como uma condição exclusiva da infância, deixando adultos e idosos fora do acompanhamento especializado;

  • Desafios no acesso à saúde: Idosos autistas podem apresentar maior vulnerabilidade à ansiedade, depressão, isolamento social e doenças crônicas. A falta de preparo dos serviços de saúde pode dificultar a comunicação e comprometer o cuidado integral;

  • Estigmas sociais: Características do autismo muitas vezes são confundidas com comportamentos associados ao envelhecimento, reforçando preconceitos e atrasando intervenções adequadas.

Pesquisas indicam que reconhecer as necessidades específicas dessa população melhora significativamente o bem-estar e a autonomia. Estratégias como comunicação clara, respeito às rotinas e ambientes acolhedores contribuem para reduzir a ansiedade e favorecer vínculos terapêuticos. Nesse cenário, a enfermagem exerce papel essencial ao promover cuidado humanizado, educação em saúde e apoio às famílias, fortalecendo uma assistência inclusiva e centrada na pessoa (Santos et al, 2025).

Falar sobre autismo na terceira idade é defender o direito a um envelhecimento digno e respeitoso. Reconhecer a neurodiversidade no envelhecimento amplia o olhar da saúde e contribui para uma sociedade mais inclusiva, onde todas as formas de envelhecer sejam valorizadas.

Referências

LIN, J.; et al. Transtorno do espectro autista e envelhecimento: uma revisão narrativa. Remecs. v. 8, n. 14, 2023. Disponível em: https://revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/1050

SANTOS, L. M. C.; et al. Assistência de enfermagem a Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista Nursing. v. 29, n. 320, 2025. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3282/4031