A feminização da velhice é o termo que explica o aumento no número de mulheres vivendo até idades mais avançadas quando comparado aos homens e, nesse contexto que vivemos nos dias de hoje, discutir o empoderamento da mulher idosa torna-se fundamental para promover saúde, qualidade de vida e participação social na terceira idade. O empoderamento envolve o fortalecimento da autonomia, da autoestima e do reconhecimento social das mulheres idosas, permitindo sua participação ativa nas decisões relacionadas à própria vida e à comunidade (Bragagnolo et al, 2020).
Empoderamento e valorização da mulher idosa
O empoderamento da mulher idosa está diretamente relacionado ao reconhecimento de sua trajetória de vida, de sua experiência e de sua capacidade de continuar contribuindo para a sociedade. Assim, valorizar a mulher idosa significa reconhecer que a velhice pode ser uma fase de continuidade de projetos, fortalecimento de vínculos sociais e construção de novos significados para a vida (Andrade, 2018).
Papel familiar e social
Mesmo na velhice, muitas mulheres continuam desempenhando funções importantes no ambiente familiar e comunitário. Entre os papéis mais observados estão (Andrade, 2018):
Apoio emocional aos familiares;
Cuidado com netos e membros da família;
Participação em atividades religiosas e comunitárias;
Transmissão de conhecimentos e experiências de vida.
Desafios enfrentados pela mulher idosa
Dupla discriminação: A mulher idosa frequentemente enfrenta uma dupla discriminações, relacionadas tanto ao gênero quanto à idade. Esse fenômeno pode resultar em invisibilidade social, redução de oportunidades de participação e estereótipos que associam a velhice à incapacidade e improdutividade (Andrade, 2018).
Condições socioeconômicas: Muitas mulheres idosas passaram grande parte da vida dedicadas ao trabalho doméstico e ao cuidado da família, o que pode resultar em menor independência financeira ou acesso limitado à aposentadoria. Essas condições podem impactar diretamente a autonomia e a segurança na velhice (Andrade, 2018).
Fatores que fortalecem a autonomia: (Bragagnolo et al, 2020)
Educação em saúde;
Prática regular de atividade física;
Participação em grupos de convivência;
Acesso a serviços de saúde;
Manutenção de vínculos sociais e familiares.
Essas ações favorecem o autocuidado e estimulam a independência nas atividades do cotidiano. Segundo estudos da área da enfermagem, mulheres idosas que participam de atividades sociais e programas de promoção da saúde apresentam melhores níveis de autoestima e satisfação com a vida (Bragagnolo et al, 2020).
Referências
BRAGAGNOLO, A. et al. Empoderamento feminino na velhice: experiências de ser e conviver. Expressa Extensão, v. 25, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/expressaextensao/article/view/17251
ANDRADE, C. R. M. Empoderamento da Mulher Idosa: Vivências, Relacionamentos, Sexualidade e Saúde. 2018. 76 p. Tese de mestrado em Educação em Saúde. ESEC, Coimbra, 2018. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/24015/1/CLAUDIA_ANDRADE.pdf