sexta-feira, 6 de março de 2026

Dia internacional da Mulher e o Empoderamento da mulher idosa

 


A feminização da velhice é o termo que explica o aumento no número de mulheres vivendo até idades mais avançadas quando comparado aos homens e, nesse contexto que vivemos nos dias de hoje, discutir o empoderamento da mulher idosa torna-se fundamental para promover saúde, qualidade de vida e participação social na terceira idade. O empoderamento envolve o fortalecimento da autonomia, da autoestima e do reconhecimento social das mulheres idosas, permitindo sua participação ativa nas decisões relacionadas à própria vida e à comunidade (Bragagnolo et al, 2020).

Empoderamento e valorização da mulher idosa

O empoderamento da mulher idosa está diretamente relacionado ao reconhecimento de sua trajetória de vida, de sua experiência e de sua capacidade de continuar contribuindo para a sociedade. Assim, valorizar a mulher idosa significa reconhecer que a velhice pode ser uma fase de continuidade de projetos, fortalecimento de vínculos sociais e construção de novos significados para a vida (Andrade, 2018). 

Papel familiar e social 

Mesmo na velhice, muitas mulheres continuam desempenhando funções importantes no ambiente familiar e comunitário. Entre os papéis mais observados estão (Andrade, 2018):

  • Apoio emocional aos familiares;

  • Cuidado com netos e membros da família;

  • Participação em atividades religiosas e comunitárias;

  • Transmissão de conhecimentos e experiências de vida.

Desafios enfrentados pela mulher idosa

  • Dupla discriminação: A mulher idosa frequentemente enfrenta uma dupla discriminações, relacionadas tanto ao gênero quanto à idade. Esse fenômeno pode resultar em invisibilidade social, redução de oportunidades de participação e estereótipos que associam a velhice à incapacidade e improdutividade (Andrade, 2018).

  • Condições socioeconômicas: Muitas mulheres idosas passaram grande parte da vida dedicadas ao trabalho doméstico e ao cuidado da família, o que pode resultar em menor independência financeira ou acesso limitado à aposentadoria. Essas condições podem impactar diretamente a autonomia e a segurança na velhice (Andrade, 2018). 

Fatores que fortalecem a autonomia: (Bragagnolo et al, 2020)

  • Educação em saúde;

  • Prática regular de atividade física;

  • Participação em grupos de convivência;

  • Acesso a serviços de saúde;

  • Manutenção de vínculos sociais e familiares.

Essas ações favorecem o autocuidado e estimulam a independência nas atividades do cotidiano. Segundo estudos da área da enfermagem, mulheres idosas que participam de atividades sociais e programas de promoção da saúde apresentam melhores níveis de autoestima e satisfação com a vida (Bragagnolo et al, 2020).

Referências

BRAGAGNOLO, A. et al. Empoderamento feminino na velhice: experiências de ser e conviver. Expressa Extensão, v. 25, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/expressaextensao/article/view/17251

ANDRADE, C. R. M. Empoderamento da Mulher Idosa: Vivências, Relacionamentos, Sexualidade e Saúde. 2018. 76 p. Tese de mestrado em Educação em Saúde. ESEC, Coimbra, 2018. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/24015/1/CLAUDIA_ANDRADE.pdf

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Importância da Socialização na Promoção da Saúde na Velhice

 


     Envelhecer é uma fase natural da vida e assim como qualquer outra, precisa ser vivida com cuidado, atenção e vínculos afetivos. Com o passar dos anos, mudanças físicas, emocionais e sociais acontecem,  manter um círculo social ativo torna-se fundamental para preservar a saúde mental e a qualidade de vida. A convivência com amigos, familiares e a comunidade não é apenas um momento de lazer, mas uma verdadeira forma de cuidado com o corpo e com a mente (FIGUEIREDO et al, 2021).

 Por que a socialização é tão importante?
     Muitas vezes, a solidão é vista como algo comum na velhice, mas ela não deve ser considerada normal. O isolamento social pode aumentar o risco de depressão, ansiedade e até problemas físicos. Já o convívio frequente com outras pessoas estimula o cérebro, fortalece a autoestima e promove sensação de pertencimento. Conversar, participar de grupos, frequentar atividades comunitárias ou religiosas e manter contato com familiares ajudam a exercitar a memória, a atenção e o raciocínio. Estudos mostram que idosos socialmente ativos apresentam menor risco de declínio cognitivo e demência. Além disso, a interação social contribui para reduzir o estresse, melhorar o humor e fortalecer o sistema imunológico (FIGUEIREDO et al, 2021).

 O impacto do círculo social na saúde física e emocional
  O apoio social vai além da companhia e representa segurança e suporte nos momentos de dificuldade, ter pessoas com quem contar facilita a busca por ajuda em situações de doença, incentiva a adesão a tratamentos e motiva a prática de hábitos saudáveis.O convívio social também estimula o movimento, ou seja, participar de caminhadas em grupo, aulas coletivas ou encontros comunitários contribui para manter a mobilidade e prevenir quedas (OLIVEIRA et al, 2021). 

 Formas de manter a vida social ativa (OLIVEIRA et al, 2021)
Manter vínculos exige iniciativa e abertura, algumas atitudes podem ajudar como:

  • Participar de grupos de convivência ou centros para idosos;

  • Realizar atividades voluntárias;

  • Praticar atividades físicas em grupo;

  • Manter contato frequente com familiares e amigos, seja presencialmente ou por chamadas de vídeo;

  • Aprender algo novo, como artesanato e informática.

 Envelhecer com qualidade
  Manter um círculo social ativo significa viver com mais alegria, segurança e propósito. A socialização contribui para o equilíbrio entre corpo e mente, reduz riscos à saúde e aumenta a satisfação com a vida. Envelhecer com qualidade é estar conectado, sentir-se parte de algo maior e continuar construindo histórias, laços e memórias ao longo do tempo (FIGUEIREDO et al, 2021).

Referências

FIGUEIREDO, D. S. T. O.; et al. Associação entre rede social e incapacidade funcional em idosos brasileiros. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 74, n. 3, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/6MfTVjWTjmXrLL9KBfCdgZy/?format=pdf&lang=pt

OLIVEIRA, B. L. C. A.; et al. Participação social e autoavaliação de saúde em idosos brasileiros. Cienc. Saúde Colet. v. 26, n. 2, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/yFRZWSfYtwsSWTwFNSXWkDK/abstract/?lang=en&format=html

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Fevereiro Roxo: sinais de alerta do Alzheimer

 


O Fevereiro Roxo é um momento importante, criado para reforçar a conscientização sobre a Doença de Alzheimer e a importância do diagnóstico precoce. É completamente comum termos algumas falhas de memória na terceira idade, e fazem parte do processo natural da vida, como esquecer nomes ou onde deixou algum objeto. Porém, existem alguns sinais que vão além do esquecimento comum e merecem atenção especial, pois podem ser sinais de  alerta para alterações mais importantes na saúde do idoso (Associação Brasileira de Alzheimer, 2024?)


O que é um esquecimento comum na terceira idade? (Alzheimer`s Association, 2026?)


  • Às vezes, esquecer nomes ou compromissos, mas lembrar deles mais tarde;

  • Demorar um pouco mais para recordar nomes ou palavras;

  • Cometer erros ocasionais ao administrar as finanças ou as contas da casa;

  • Ficar confuso com o dia da semana, mas descobrir depois;

  • Perder coisas de vez em quando e ter que refazer o caminho para encontrá-las.


O que é um sinal de alerta? (Associação Portuguesa de familiares e amigos dos doentes de Alzheimer, 2011)


  • Esquecimentos frequentes de fatos recentes;

  • Dificuldade para planejar e resolver problemas;

  • Repetir as mesmas perguntas ou histórias várias vezes;

  • Dificuldade para realizar atividades do dia a dia;

  • Confusão com datas, horários ou lugares;

  • Alterações de comportamento, humor ou personalidade;

  • Dificuldade para se comunicar ou encontrar palavras.


Devemos recorrer a ajuda de um profissional sempre que os esquecimentos começarem a interferir na autonomia e nas atividades do dia a dia do idoso, ou quando familiares e cuidadores perceberem mudanças significativas no comportamento, no humor ou na memória. Em caso de qualquer dúvida ou preocupação, é essencial procurar uma equipe de saúde, pois a avaliação precoce permite um melhor acompanhamento, orientação adequada e mais qualidade de vida para o idoso e sua família (Associação Brasileira de Alzheimer, 2024?).

A Doença de Alzheimer não faz parte do envelhecimento normal. Identificar os sinais precocemente e buscar ajuda profissional faz toda a diferença no cuidado, no planejamento familiar e, principalmente, na qualidade de vida do idoso.


Referências


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALZHEIMER. Sobre o Alzheimer: o que é o Alzheimer?. ABRAz, 2024?. Disponível em: https://abraz.org.br/sobre-alzheimer/

ALZHEIMER`S ASSOCIATION. 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer's and Dementia. ALZ, 2026?. Disponível em: https://www.alz.org/alzheimers-dementia/10_signs

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE FAMILIARES E AMIGOS DOS DOENTES DE ALZHEIMER. 10 sinais de alerta. Alzheimer Portugal, 2011. Disponível em: https://alzheimerportugal.org/10-sinais-de-alerta/



sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Insolação no verão: sinais de alerta na terceira idade


Durante o verão, as altas temperaturas e o excesso de exposição ao sol podem representar riscos à saúde, especialmente para os idosos. A insolação ocorre quando a temperatura corporal ultrapassa os 40°C e o corpo não consegue resfriar adequadamente, podendo causar sintomas graves se não for identificada a tempo (Brasil, 2025?). 


O idoso está mais vulnerável à insolação porque, com o envelhecimento, ocorre uma diminuição da capacidade do organismo de regular a temperatura corporal, o que dificulta a adaptação ao calor excessivo. Além disso, a percepção da sede tende a ser menor, favorecendo a desidratação. O uso contínuo de alguns medicamentos e a presença de doenças crônicas também contribuem para aumentar os riscos, tornando necessária uma atenção redobrada durante os dias mais quentes (Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, 2025).


Principais sinais da insolação: (Brasil, 2025?)


  • Temperatura corporal elevada;

  • Pele quente, seca ou muito avermelhada;

  • Dor de cabeça intensa;

  • Tontura, fraqueza ou confusão mental;

  • Náuseas e vômitos;

  • Batimentos cardíacos acelerados.


O que fazer ao identificar os sinais de insolação? (Brasil, 2025?)


  • Levar a pessoa para um local fresco e ventilado;

  • Oferecer água, se estiver consciente;

  • Afrouxar roupas apertadas;

  • Procurar atendimento de saúde imediatamente.


Para prevenir a insolação durante o verão, é fundamental evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, manter uma boa hidratação ao longo do dia, utilizar roupas leves e claras e permanecer, sempre que possível, em ambientes arejados e ventilados. A insolação é uma condição grave, mas que pode ser evitada com cuidados simples. Estar atento aos sinais e adotar medidas preventivas faz toda a diferença e pode salvar vidas, especialmente na terceira idade (Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, 2025).


Referências


BRASIL. Insolação. Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/insolacao


Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade. Cuidados com a Insolação durante as ondas de calor. SBMFC, 2025. Disponível em: https://sbmfc.org.br/noticias/cuidados-com-a-insolacao-durante-as-ondas-de-calor/


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Dicas para se manter hidratado no verão

 


Durante os períodos de calor intenso e altas temperaturas, como o verão, manter uma boa hidratação se torna ainda mais importante, especialmente para os idosos. A ingestão adequada de líquidos ao longo do dia ajuda a prevenir a desidratação e contribui para mais bem-estar, saúde e segurança (Prefeitura de São Paulo, 2025).

Pessoas com mais de 60 anos sofrem uma diminuição do número e da sensibilidade de receptores corporais que controlam a sede, fazendo com que o idoso nem sempre perceba a necessidade de ingerir líquidos. Além disso, o corpo passa a ter mais dificuldade em regular a temperatura, especialmente nos dias mais quentes (Brasil, 2022). 


Principais sinais da desidratação (Brasil, 2022). 


  • Boca seca e lábios rachados;

  • Urina escura ou em pequena quantidade;

  • Sonolência, cansaço excessivo ou confusão;

  • Dor de cabeça, fraqueza e tontura.


Como posso me manter hidratado? (Prefeitura de São Paulo, 2025).


  • Beba água várias vezes ao dia, mesmo sem sede;

  • Tenha sempre uma garrafinha por perto;

  • Inclua sucos naturais, água de coco e chás claros;

  • Aposte em frutas ricas em água, como melancia, melão e laranja.


Atenção redobrada da família e cuidadores (Prefeitura de São Paulo, 2025).


  • Lembrar o idoso de beber líquidos;

  • Oferecer água com frequência;

  • Observar sinais de desidratação;

  • Reforçar os cuidados nos dias mais quentes.


Cuidar da hidratação é um gesto simples que faz toda a diferença, garantindo mais conforto, segurança e qualidade de vida durante o verão!


Referências


Prefeitura de São Paulo. Idosos devem redobrar os cuidados com a hidratação no verão. Secretaria Municipal de Saúde/SP, 2025. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/idosos-devem-redobrar-os-cuidados-com-a-hidrata%C3%A7%C3%A3o-durante-o-ver%C3%A3o

BRASIL. Idosos precisam ter ainda mais atenção com a hidratação. Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/noticias/2017/idosos-precisam-ter-ainda-mais-atencao-com-a-hidratacao




sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Planos e sonhos na terceira idade!

 


A velhice é frequentemente associada a perdas e limitações, como se essa fase representasse o fim dos desejos, projetos e possibilidades. No entanto, estudos atuais mostram uma realidade muito diferente: envelhecer pode ser também um período de reinvenção, crescimento pessoal, construção de novos significados e realização de sonhos adiados. A terceira idade pode ser marcada por conquistas importantes, como iniciar um hobby, voltar a estudar, empreender, fortalecer vínculos afetivos ou redescobrir a própria sexualidade e intimidade (LOPES et al, 2016).

Por que recomeçar na velhice ainda é tão desafiador?

Estereótipos sociais que limitam: A cultura ainda reforça a ideia de que idosos devem ser passivos e sem ambições, como se projetos e sonhos fossem privilégio apenas dos jovens. Esses preconceitos podem fazer com que muitos idosos se sintam incapazes de iniciar algo novo ou sintam vergonha de desejar mudanças (LOPES et al, 2016).

O impacto dos novos projetos na qualidade de vida: Pesquisas indicam que ter metas e objetivos transforma significativamente o bem-estar emocional e físico, reduz sintomas de depressão, aumenta a autoestima, fortalece a autonomia e promove sensação de propósito. Muitos idosos relatam que aprender algo novo, participar de grupos, praticar uma atividade ou viver novas formas de afeto lhes devolve vitalidade, motivação e alegria (LOPES et al, 2016)

A sexualidade na Velhice: este ainda é um tema repleto de preconceitos, mitos e tabus na sociedade atual. Apesar do envelhecimento populacional ser uma realidade crescente, falar sobre desejo, amor e práticas sexuais na terceira idade segue sendo visto como um assunto a ser evitado ou até mesmo como algo inapropriado. A verdade é que o desejo, a busca por carinho, afeto e prazer não desaparecem com a idade, muitas idosas e idosos relatam viver uma fase de redescobertas e de novas formas de expressão (ROZENDO; ALVES, 2015). 

A terceira idade não precisa representar fim, mas transformação. Nunca é tarde para aprender, amar, viajar, criar, partilhar, perdoar, recomeçar. Romper os tabus que limitam os idosos é essencial para promover saúde, autonomia e felicidade. A velhice pode ser um momento de florescimento, desde que haja apoio, respeito e liberdade para sonhar (ROZENDO; ALVES, 2015).


Referências

LOPES, M. J.; et al. O envelhecimento e a qualidade de vida: a influência das experiências individuais. Revista Kairós Gerontologia, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 181-199, 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/32155

ROZENDO, A. S.; ALVES, J. M. Sexualidade na terceira idade: tabus e realidade. Revista Kairós Gerontologia, São Paulo, v. 18, n. 3, p. 95-107, jul./set. 2015. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/26210