quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

CUIDANDO DA ALIMENTAÇÃO DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER

                                



Ao contrário do que ocorre com outras doenças como o diabetes ou a hipertensão, não há restrição de um ou mais alimentos que se aplique a todos os pacientes de Alzheimer. Ajustes na dieta poderão ser feitos pelo médico de acordo com as consequências da doença, de forma individualizada. Embora não exista uma dieta determinada, é preciso ter cuidado com a alimentação, para que não haja excesso ou carência de algum nutriente.

A boa nutrição é muito importante para a saúde geral e também para o funcionamento cerebral. Estudos recentes mostram que uma alimentação saudável é muito importante para o bem-estar, a disposição física e até para a cognição. O idoso também precisa de uma alimentação balanceada. Ao consultar o médico, não esqueça de pedir orientação sobre a dieta do paciente.

São comuns queixas envolvendo alteração no apetite da pessoa com Doença de Alzheimer. Pode haver perda de peso ou fome exagerada. Em ambos os casos o monitoramento da família deve ser realizado para favorecer uma alimentação adequada.

Confira sempre a temperatura da comida. Alimentos muito quentes podem provocar queimaduras na boca e na língua do paciente. Utilize prato térmico, para evitar que a comida esfrie enquanto o paciente está se alimentando.

A perda de peso geralmente está associada a alterações no apetite, dificuldades cognitivas ou questões físicas. Controle a perda de peso mensalmente em casa ou na farmácia mais próxima. É mais fácil prevenir a perda de peso que reverter um quadro de desnutrição. Ao constatar perda significativa de peso (igual ou superior a 5% do peso verificado no mês anterior), é preciso comunicar imediatamente ao médico ou procurar um nutricionista, para que sejam tomadas as providências.

Estimule a alimentação com o uso de utensílios coloridos e alimentos de cores diferentes, fazendo com que chamem a atenção do paciente e despertem seu interesse pela refeição. Opte por alimentos que possam ser manipulados com as mãos, para aumentar o interesse pelo contato. Sirva uma pequena porção de alimentos de cada vez.

O paciente pode se esquecer de comer por um problema de memória ou orientação no tempo. Se isso ocorrer, ele deve ser acompanhado pessoalmente durante as refeições. Monitoramento à distância com ligações telefônicas para verificar se o idoso se alimentou não são eficientes, pois ele pode responder que comeu, sem saber quando e o quê, mesmo que ele dê uma resposta aparentemente possível. Dificuldades de atenção podem tornar o paciente lento e também fazer com que ele perca a meta de suas ações distraindo-se. Nesses casos, é importante o acompanhamento e o monitoramento verbal da ação, para que a ingestão ocorra com a comida aquecida, evitando recusa devido à baixa temperatura.

É bastante comum a queixa de que o paciente tenha vontade de comer em intervalos curtos e/ou em grande quantidade. Isso acontece devido a problemas de memória (esquece que já comeu), orientação temporal (não consegue se organizar nos horários) ou por uma alteração na saciedade, que geralmente é acompanhada por redução de controle de impulsos. A família tende a ficar com pena do idoso e a ceder às suas solicitações. É importante ressaltar que o ganho de peso pode gerar riscos para a saúde, com problemas metabólicos e físico, e a ingestão exagerada pode causar problemas digestivos e mal-estar. Se o paciente deixa de ser capaz de fazer escolhas saudáveis e de controlar adequadamente a ingestão de alimento, caberá ao familiar intervir.

Estimule o paciente a comer devagar. Caso o paciente insista em consumir uma grande quantidade de um tipo específico de alimento, procure adaptar os horários e as quantidades para que esse consumo seja adequado à real necessidade e não prejudique o consumo de outros alimentos. Evite alimentos ricos em caloria em grande quantidade. Ofereça alimentos com intervalos mais curtos (em intervalos de duas horas e meia), garantindo a boa nutrição. Diante de insistência exagerada, procure distraí-lo com tema de interesse, com a finalidade de adiar a próxima refeição, caso o intervalo esteja muito curto.

O paciente com Alzheimer pode perder a habilidade para cozinhar conforme a doença progride. Prejuízos na capacidade de planejamento e organização, problemas de memória e até dificuldades motoras desfavorecem o resultado, podendo tornar a comida pouco convidativa e a sua realização frustrante, e, consequentemente, reduzindo a motivação.

Se a pessoa diagnosticada com a Doença de Alzheimer insiste em preparar pessoalmente a própria alimentação, deve-se monitorar os riscos e planejar as alternativas que garantam sua participação com o acompanhamento de uma outra pessoa. Deve-se buscar tornar o ato de cozinhar uma atividade prazerosa e compartilhada entre o cuidador e o paciente. Devem ser oferecidas tarefas simples, que não ofereçam riscos e mantenham sua participação. Quando o paciente mora sozinho, ele precisa ter restrições e alternativas que garantam a sua não exposição a riscos e uma nutrição adequada. Comprar comidas e deixar na geladeira não é uma solução que pode acontecer isoladamente. Excesso de comida pode favorecer que estrague, pois ela pode ser indevidamente consumida.






Referência:
Associação Brasileira de Alzheimer. ABRAz. Disponível em: < http://abraz.org.br/web/orientacao-a-cuidadores/acompanhamento-cotidiano/alimentacao/ >.

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