sexta-feira, 20 de março de 2026

Autonomia e identidade na Doença de Alzheimer


No dia 21 de março comemoramos o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer, está data nos ajuda a lembrar que, antes da doença, existe uma pessoa com história, sentimentos, desejos e identidade. O diagnóstico não apaga a história de vida construída ao longo dos anos. Preservar a autonomia e a dignidade é uma das formas mais respeitosas de cuidar (Burlá et al, 2014).

Precisamos entender que o Alzheimer não apaga a essência de quem a pessoa é. Mesmo com as limitações que a doença pode trazer, ainda há identidade, emoções e necessidade de reconhecimento e acolhimento. Devemos preservar isso o máximo possível, valorizar e respeitar suas escolhas sempre que possível (Burlá et al, 2014).

Incentive a autonomia sempre que possível

As limitações irão surgir com o tempo, porém é fundamental estimular a participação nas decisões dentro das capacidades preservadas. Permitir pequenas escolhas no dia a dia, como a roupa que deseja usar ou o que prefere comer, ajuda a manter o senso de autonomia e autoestima, que muitas vezes é negligenciada pela família fazendo com que o idoso perca sua identidade e favorecendo quadros depressivos neste momento de tantas incertezas. Valorizar o que a pessoa ainda consegue fazer é tão importante quanto oferecer ajuda quando necessário (Anacleto, 2019).

Comunicação com respeito (Anacleto, 2019)

  • Evite infantilizar o idoso;

  • Falar com calma e clareza;

  • Manter contato visual;

  • Demonstrar paciência e acolhimento.

O modo como nos comunicamos impacta diretamente na dignidade da pessoa. Cuidar não significa retirar completamente a independência antes do necessário, o carinho e a valorização da identidade devem permanecer. Cuidar é reconhecer a pessoa para além da doença (Burlá et al, 2014).

Referências

BURLÁ, C.; et al. Envelhecimento e doença de Alzheimer: reflexões sobre autonomia e o desafio do cuidado. Rev. bioét. v. 22, n. 1, p. 85-93, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/kjBjVtHF4qHT7s4VX5FtR8r/?format=pdf&lang=pt

ANACLETO, G. Autonomia e beneficência no cuidado com pessoas com doença de alzheimer. 2019. 144 p. Tese de mestrado em Filosofia. UFSC, Florianópolis, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/211400/PFIL0344-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y

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