sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Dormir mal faz parte do envelhecimento?

 


O envelhecimento faz parte da vida humana desde o primeiro dia. Todas as pessoas envelhecem com o passar dos segundos, minutos e horas, incluindo as dormidas. Durante as horas de sono, o corpo se reorganiza e toma mais vitalidade para o próximo dia e assim se dá a sua importância. Porém, com o passar dos anos, a qualidade do sono tende a diminuir independente das horas dormidas (ALBUQUERQUE; CATALDO, 2024).

Aproximadamente 50% dos idosos apresentam algum distúrbio do sono, evidenciando que esse é um problema frequente nessa fase da vida.

Entre os fatores fisiológicos, destacam-se: (ALBUQUERQUE; CATALDO, 2024)

  • Mudanças no ritmo circadiano;

  • Redução da produção de melatonina.


Já os fatores patológicos: (ALBUQUERQUE; CATALDO, 2024)

  • Síndrome da apneia obstrutiva do sono;

  • Insônia;

  • Doenças crônicas (como hipertensão e diabetes);

  • Dor crônica;

  • Incontinência urinária;

  • Transtornos psiquiátricos. 


Existem estratégias para melhorar a qualidade do sono, como medicações de acordo com a prescrição médica, exercícios físicos regulares, educação em higiene do sono e adoção de hábitos saudáveis (Carvalho et al., 2022). 

A higiene do sono engloba: (Carvalho et al., 2022)

  • Tornar o ambiente do quarto mais confortável ao sono;

  • Reduzir a ingestão de líquidos nas horas anteriores ao sono;

  • Ajustar o horário dos medicamentos diuréticos para diminuir idas noturnas ao banheiro;

  • Evitar telas no período anterior ao sono.


É importante manter uma rotina de sono saudável durante toda a vida, e especialmente na terceira idade são necessários cuidados mais minuciosos para ter um sono reparador e cooperar para um corpo e mente mais condicionados (Carvalho, et al., 2022).

Referências

ALBUQUERQUE, L. B.; CATALDO NETO, A. Fatores fisiológicos e patológicos com impacto na qualidade do sono no idoso: uma revisão de literatura. Debates em Psiquiatria, Rio de Janeiro, v. 14, p. 1–15, 2024. https://doi.org/10.25118/2763-9037.2024.v14.1197

CARVALHO, Khelyane Mesquita et al. Comparação de eficácia de duas intervenções educativas na qualidade do sono de idosos: ensaio clínico randomizado. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 56, e20220326, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2022-0326pt. 


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Você conhece a Esclerose Múltipla?

 

Você já ouviu falar na Esclerose Múltipla? Ela é uma doença autoimune e crônica que afeta o nosso sistema nervoso central, que é formado pelo cérebro e pela nossa medula espinhal. Apesar de ser frequentemente diagnosticada em pessoas jovens entre seus 20 e 40 anos, a doença exige acompanhamento e cuidados por toda a sua vida (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, 2026?).

Na Esclerose Múltipla, nosso próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar e destruir a mielina, uma camada que protege nossos nervos e permite que os comandos e informações sejam transmitidos entre o cérebro e o restante do corpo de forma rápida e eficiente. Quando perdemos essa proteção, a comunicação entre o cérebro e o corpo fica prejudicada, causando diferentes sintomas (Levin, 2025).

Quais são os principais sinais de alerta? (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, 2026?)

Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra e costumam surgir em períodos chamados de surtos, alternados com fases de melhora. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Fadiga intensa e persistente;

  • Visão embaçada, visão dupla ou dor ao movimentar os olhos;

  • Formigamento, dormência ou sensação de queimação em diferentes partes do corpo;

  • Fraqueza muscular, tremores, dificuldade para caminhar e perda do equilíbrio;

  • Alterações no funcionamento da bexiga ou do intestino;

  • Mudanças emocionais, como ansiedade e depressão, além de alterações na memória e na concentração.

Existe tratamento?

Ainda não existe uma cura para a Esclerose Múltipla, mas existem tratamentos que podem reduzir a frequência dos surtos, controlar os sintomas e retardar a progressão da doença. O acompanhamento com diferentes profissionais, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e educadores físicos é essencial para uma melhor autonomia e qualidade de vida (Levin, 2025).

É essencial reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento médico o quanto antes. O diagnóstico é realizado pelo neurologista por meio da avaliação clínica e de exames, como a ressonância magnética. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as possibilidades de iniciar o tratamento adequado e manter uma vida ativa e com qualidade (Levin, 2025). 

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA. O que é a Esclerose Múltipla. ABEM, 2026?. Disponível em: https://abem.org.br/esclerose-multipla/o-que-e-esclerose-multipla/

LEVIN, M. C. Esclerose Múltipla (EM). Manuais MSD, 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-cerebrais-da-medula-espinal-e-dos-nervos/esclerose-m%C3%BAltipla-em-e-doen%C3%A7as-relacionadas/esclerose-m%C3%BAltipla-em


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lesão por pressão: como identificar os primeiros sinais em idosos

 


A lesão por pressão ocorre quando uma parte do corpo permanece muito tempo sob pressão após longos períodos sentados, deitados ou em pessoas que possuem dificuldade para mudar de posição sozinhas ao longo do dia e permanecem na mesma posição durante horas. Essa pressão reduz a circulação sanguínea na região e caso aconteça por um período muito longo, a pele começa a sofrer danos que podem evoluir para feridas mais profundas (Farias; Queiroz, 2022). 

Pessoas idosas possuem maior risco para o desenvolvimento dessas lesões, isso ocorre por conta do envelhecimento, a pele se torna mais fina frágil e menos elástica. Além disso, doenças como diabetes mellitus, alterações da circulação, desnutrição, desidratação e redução da mobilidade aumentam significativamente esse risco (Santos et al., 2021). Reconhecer os primeiros sinais é muito importante, quanto mais cedo a lesão for identificada, maiores são as chances de impedir sua evolução. Observar diariamente a pele permite detectar alterações antes mesmo da formação de uma ferida aberta (Farias; Queiroz, 2022).

Os principais sinais de alerta são:

  • Vermelhidão persistente na pele que não desaparece alguns minutos após aliviar a pressão sobre a região. Em pessoas com pele mais escura, a área pode apresentar coloração arroxeada, azulada ou mais escura que a pele ao redor;

  • Dor e sensibilidade;

  • Inchaço, endurecimento ou mudança na textura da pele;

  • Pequenas bolhas ou rompimento da pele, indicando que a lesão está evoluindo.

A prevenção é a forma mais eficaz de evitar o aparecimento dessas lesões. Algumas medidas são: mudanças frequentes de posição, inspeção diária da pele, controle da umidade, uso de superfícies de apoio quando indicadas e manutenção de uma alimentação adequada, medidas capazes de reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da lesão por pressão (Santos et al., 2021).

Quando procurar atendimento?

Caso seja observada uma área avermelhada que não melhora após a mudança de posição, o aparecimento de bolha ou abertura da pele, é importante procurar atendimento de saúde o mais rápido possível. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de agravamento da lesão, diminuem complicações e favorecem uma recuperação mais rápida. 

Referências

FARIAS, Ana Patricia do Egito Cavalcanti de; QUEIROZ, Ronaldo Bezerra de. Fatores de risco para o desenvolvimento de lesão por pressão em idosos: revisão integrativa. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, v. 14, 2022. DOI: 10.9789/2175-5361.rpcfo.v14.11423

SANTOS, Maristela Silva Melo et al. Conhecimento da enfermagem e ações realizadas acerca da prevenção da lesão por pressão: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Contemporânea, Salvador, v. 10, n. 2, p. 324-332, 2021. DOI: 10.17267/2317-3378rec.v10i2.3159

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Você já ouviu falar em Reserva Cognitiva?

 


        Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem “imunes” ao envelhecimento e chegam à terceira idade com a memória e o raciocínio muito bem preservados? Essa resposta pode estar em um conceito que chamamos de Reserva Cognitiva.

Afinal, o que é a Reserva Cognitiva?

A reserva cognitiva é uma representação da capacidade que o nosso cérebro desenvolve ao longo da vida para lidar com desafios e realizar novas ligações para resolver problemas e compensar algumas perdas que podem surgir com o envelhecimento ou com doenças neurológicas. Resumindo, quanto mais o cérebro é estimulado, melhor é a sua capacidade de se adaptar e manter suas funções por mais tempo (Le Wine, 2025).

Esse conceito surgiu quando pesquisadores observaram algumas pessoas que apresentavam alterações cerebrais compatíveis com a Doença de Alzheimer, porém elas não manifestaram nenhum sintoma característico durante toda sua vida. Isso mostrou que um cérebro mais estimulado tem uma habilidade maior para criar novas ligações e compensar parte desses danos e retardando o aparecimento dos sintomas. É importante lembrarmos que a reserva cognitiva não impede que a doença se desenvolva, mas faz com que seu avanço seja bem mais lento quando comparado a alguém com uma menor reserva cognitiva (Stern, 2019).

Como fortalecer a Reserva Cognitiva? (Le Wine, 2025)

O lado bom é que a reserva cognitiva pode ser estimulada em qualquer fase da vida. Algumas atitudes que ajudam são:

  • Manter o hábito da leitura;

  • Aprender uma nova habilidade, como tocar um instrumento, cozinhar ou estudar um novo idioma;

  • Cultivar uma vida social ativa, mantendo contato com familiares e amigos;

  • Realizar atividades que desafiem o cérebro, como palavras cruzadas, quebra-cabeças e jogos de raciocínio;

  • Praticar atividade física regularmente;

  • Ter uma alimentação equilibrada e cuidar da qualidade do sono.

Estimular o cérebro ao longo da vida é uma forma de promover um envelhecimento mais ativo e saudável. Embora não exista uma maneira de prevenir completamente doenças como a Doença de Alzheimer, manter a mente ativa pode ajudar a preservar a autonomia, a memória e a qualidade de vida por mais tempo (Le Wine, 2025).

Referências

LE WINE, H. E. O que é a Reserva Cognitiva. Harvard Health Publishing. Massachusetts: Harvard Medical School, 2025. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/mind-and-mood/what-is-cognitive-reserve

STERN, Y.; et al. Reserva Cerebral, Reserva Cognitiva, Compensação e Manutenção: Operacionalização, Validade e Mecanismos de Resiliência Cognitiva. Neurobiol Aging. v. 83, p. 124-129, 2019. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6859943/