sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Incontinência urinária na terceira idade, é normal?

 

Com o passar dos anos, algumas mudanças no corpo acabam sendo vistas como inevitáveis, e a perda de urina é um exemplo disso. Mas será que ela realmente faz parte do envelhecimento? A incontinência urinária é a conhecida perda involuntária de urina e, embora seja mais comum entre pessoas idosas, não deve ser considerada normal. Além do desconforto físico, ela pode afetar a autoestima, a rotina, a convivência social e a qualidade de vida (Reis et al, 2003). 


Existem diferentes causas para a incontinência urinária.  Alterações no funcionamento da bexiga e dos músculos do assoalho pélvico podem favorecer as perdas, mas outros fatores também podem estar envolvidos, como: (Reis et al, 2003)

  • Alterações hormonais após a menopausa;

  • Alterações na próstata;

  • Dificuldade de locomoção e mobilidade reduzida;

  • Diabetes e outras condições de saúde;

  • Constipação intestinal;

  • Uso de alguns medicamentos;

  • Doenças neurológicas e alterações cognitivas, como as demências.

O que pode ajudar?

Existem diferentes formas de tratar e controlar a incontinência urinária, levando em consideração sua causa e as necessidades de cada pessoa. Algumas medidas que podem ajudar incluem: (Miranda et al, 2024)

  • Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, quando indicados;

  • Criar uma rotina para ir ao banheiro em intervalos específicos;

  • Tratar condições de saúde que possam estar contribuindo para as perdas;

  • Facilitar o acesso ao banheiro para pessoas com dificuldade de locomoção;

  • Avaliar os medicamentos utilizados com um profissional de saúde.

Se as perdas de urina são frequentes ou começaram recentemente, procure um profissional de saúde para identificar a causa e buscar o tratamento mais adequado. Essa é uma questão de saúde muito comum e não é preciso sentir vergonha para falar sobre isso. A incontinência urinária pode trazer desconforto e insegurança, mas não precisa fazer parte da rotina. Buscar ajuda é uma forma de cuidar da saúde, preservar a autonomia e melhorar a qualidade de vida (Rocha, 2022). 


Referências


REIS, R. B.; et al. Incontinência urinária no idoso. Acta Cirúrgica Brasileira. v. 18, p. 47-51, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/acb/a/JqVGTGKvG7Xp6JPfMqnvJ6q/?lang=pt

MIRANDA, C. S. N.; et al. Tratamento da incontinência urinária em idosas. Revista Foco, Edição Especial, p. 01-19, 2024. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/5574/4027

ROCHA, F. E. T. Muito comum em idosos, a incontinência urinária tem diversas formas de tratamento. Hospital Sírio-Libanês, 2022. Disponível em: https://hospitalsiriolibanes.org.br/blog/geriatria/muito-comum-em-idosos-a-incontinencia-urinaria-tem-diversas-formas-de-tratamento

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Doença de Alzheimer: depois do diagnóstico, e agora?

 


Receber o diagnóstico de Doença de Alzheimer pode ser um momento difícil, assustador e cheio de dúvidas, tanto para quem recebe a notícia quanto para seus familiares. É normal sentir medo e insegurança frente a um desafio ainda desconhecido. Apesar disso, o diagnóstico também pode ser o primeiro passo para organizar o cuidado e buscar estratégias que contribuam para preservar a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida da pessoa e de toda a família (Baldivia, 2023). 


Nosso objetivo aqui é trazer algumas atitudes que podem ajudar a tornar essa nova caminhada segura e acolhedora:


Busque informações confiáveis 


Em tempos de tecnologia, como o atual, existem muitas informações, porém nem todas são verdadeiras. Por isso, conhecer a doença ajuda a compreender as mudanças que podem acontecer ao longo do tempo e a se preparar para os diferentes desafios. Procure informações em fontes confiáveis, como esta, e converse sempre com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento (Diez, 2024). 


Mantenha o acompanhamento com profissionais de saúde


O acompanhamento regular é fundamental para acompanhar a evolução da doença, controlar sintomas e definir as melhores estratégias de tratamento para cada pessoa. O ideal é que essa equipe seja multiprofissional, unindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, etc. Dessa forma a pessoa e família receberam o suporte necessário em todas as fases da doença (Diez, 2024).


Converse sobre o futuro


Principalmente nas fases iniciais, a pessoa com Alzheimer ainda pode participar ativamente de muitas decisões sobre sua própria vida. Por isso, é importante conversar sobre seus desejos, preferências e cuidados que gostaria de receber no futuro, além de organizar documentos e outras questões importantes enquanto ela ainda consegue expressar suas vontades. Essa é uma parte essencial, para evitar brigas e discussões desnecessárias no futuro (Diez, 2024).


Nossa última dica é: sempre busque dividir os cuidados, familiares, amigos e profissionais são sempre bem vindos e ajudam muito a evitar a sobrecarga de apenas uma pessoa na família. É importante entender que esse é um desafio coletivo e se todos ajudarem o processo poderá se tornar bem mais leve para todos.  Depois do diagnóstico ainda existe muito a ser vivido, compartilhado e cuidado! (Baldivia, 2023)


Referências


BALDIVIA, G. Recomendações após o diagnóstico da Doença de Alzheimer. HDA, 2023. Disponível em: https://hospitalalvarenga.com.br/blog_da_saude/recomendacoes-apos-o-diagnostico-de-alzheimer/ 

DIEZ, G. O que fazer após o diagnóstico de Alzheimer: Um guia para os primeiros passos. Mancini Psiquiatria, 2024. Disponível em: https://mancinipsiquiatria.com.br/o-que-fazer-apos-o-diagnostico-de-alzheimer-um-guia-para-os-primeiros-passos/

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Setembro Azul: O papel da família diante da perda auditiva

 


O Setembro Azul é uma campanha dedicada à conscientização sobre a surdez e a valorização das pessoas surdas. Por isso, não poderíamos deixar de falar sobre um aspecto fundamental nesse processo: o papel da família na inclusão e comunicação (Silveira et al, 2024).

A perda auditiva afeta muito mais do que apenas a capacidade de ouvir. Para muitos significa dificuldades para participar de uma conversa ou conviver com amigos. Isso pode levar ao isolamento e afetar diretamente a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida, principalmente das pessoas idosas (Kamil; Lin, 2015).

A família também pode sentir os impactos dessa mudança. As dificuldades de comunicação podem gerar frustrações, afastamento e até conflitos no dia a dia. Por isso, compreender essa nova realidade e aprender maneiras de facilitar a comunicação é importante tanto para a pessoa com perda auditiva quanto para aqueles que convivem com ela (Kamil; Lin, 2015).

Formas de se envolver positivamente nesse processo: (Silva, 2015)

  • Contato visual: Falar de frente com a pessoa, mantendo o rosto iluminado para facilitar a leitura labial;

  • Ambiente favorável: Reduzir ruídos de fundo (como desligar eletrodomésticos ou o rádio) no momento de conversas importantes;

  • Aprendizado mútuo: Caso a pessoa utilize a Língua Brasileira de Sinais (Libras), é importante que familiares e pessoas próximas também aprendam a se comunicar por meio dela, dessa forma a inclusão começa dentro do próprio lar.

A perda auditiva pode trazer desafios, mas o apoio da família pode tornar esse processo muito mais leve. Adaptar a comunicação, ter paciência e incluir a pessoa nas conversas são pequenas atitudes que fazem uma grande diferença. 

Referências:

SILVEIRA, A. C. S. L.; et al. Associação entre restrição à participação decorrente de perda auditiva e autopercepção de saúde, suporte social e qualidade de vida da pessoa idosa: estudo transversal. CoDAS, v. 36, n. 5, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/codas/a/Rm7HdYLRyD58LRbYMgZ356B/?lang=pt

KAMIL, R. J.; LIN, F. R. The effects of hearing impairment in older adults on communication partners: a systematic review. Journal of the American Academy of Audiology, v. 26, n. 2, p. 155-182, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25690776/

SILVA, R. N. A. Assistência ao surdo na atenção primária: concepções de profissionais. Journal of Management & Primary Health Care, v. 6, n. 2, p. 189-204, 2015. ISSN 2179-6750. Disponível em: https://www.jmphc.com.br/jmphc/article/view/266.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: Solidão na terceira idade

 


A solidão é uma questão importante de saúde, pois pode estar associada a diferentes aspectos do bem-estar físico e emocional em condições como depressão, ao fato de morar sozinho e à pior percepção da própria saúde. Esses fatores podem comprometer a qualidade de vida e aumentar a vulnerabilidade da pessoa idosa (Sandy Junior; Borim; Neri, 2023). 

Quais são os sinais de alerta?

A solidão nem sempre é percebida facilmente. Por conta disso, é importante observar mudanças no comportamento e na rotina da pessoa idosa, principalmente quando estão presentes de forma persistente. Alguns sinais que merecem atenção são: (Mota et al., 2025)

  • Afastamento de familiares, amigos ou atividades que antes eram prazerosas;

  • Demonstração frequente de tristeza;

  • Redução da participação em atividades sociais;

  • Falas que demonstram desesperança ou falta de sentido na vida;

  • Mudanças importantes no cuidado consigo mesmo.

Como podemos ajudar na prevenção do suicídio?

A prevenção começa pela aproximação. Por isso, não devemos ignorar falas ou mudanças de comportamento por acreditar que a pessoa idosa está “querendo chamar atenção”. Este tipo de interpretação pode permitir que situações de sofrimento, isolamento e solidão perpetuem e se tornem ainda mais graves com o tempo (Gutierrez et al., 2020).

O que podemos fazer? (Gutierrez et al., 2020)

  • Procure conversar e ouvir a pessoa idosa sem julgamentos;

  • Incentive os vínculos com familiares e amigos;

  • Estimule a participação em atividades sociais e culturais;

  • Valorize as falas da pessoa idosa sobre sofrimento, desesperança ou morte;

  • Procure profissionais de saúde quando houver sinais de sofrimento emocional.

Prevenir o suicídio na terceira idade envolve muito mais do que identificar fatores de risco. É necessário fortalecer os vínculos, promover a participação social, oferecer espaços de escuta e garantir que a pessoa idosa seja acolhida e tenha acesso aos seus cuidados em saúde. Deste modo, é muito importante o envolvimento da família, comunidade e profissionais de saúde, que devem atuar na identificação de sinais de sofrimento e na promoção de um envelhecimento mais seguro, digno e com qualidade de vida (Mota et al., 2025).

Referências

GUTIERREZ, D. M. D.; et al. Pessoas idosas tentam suicídio para chamar atenção? Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 29, n. 4, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/bRxMdn5GJbDVCHwqqfQKVJg/?lang=pt

MOTA, C. A.; et al. Enfrentamento do suicídio entre a população idosa: uma revisão integrativa. REVISTA DELOS, v. 18, n. 67, 2025. Disponível em: https://ojs.revistadelos.com/ojs/index.php/delos/article/view/5217

SANDY JÚNIOR, P. A.; BORIM, F. S. A.; NERI, A. L. Solidão e sua associação com indicadores sociodemográficos e de saúde em adultos e idosos brasileiros: ELSI-Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 39, n. 7, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/THq8rXh7CDMD3Q9KqwWNYwd/?lang=pt